Conclusões do Simpósio

Conclusões do Simpósio
– Floresta 2050 . Pensar o Futuro –
Outubro de 2011

A floresta natural ou de produção é um sistema complexo, que se revela na extensão geográfica, na escala temporal, e no impacto ecológico, económico e social. A árvore é o organismo dominante com características únicas de longevidade, dimensão e imobilidade.

A floresta em Portugal é um bem precioso. A matriz estruturante do valor da floresta em Portugal é calculada em 994 mil milhões de euros (incluindo-se neste valor os riscos associados). A balança comercial das indústrias da fileira florestal é extremamente vantajosa para Portugal, com um saldo positivo de 1.292 milhões de euros em 2009, tendo representado em 2010 9,3% do total das exportações nacionais de bens.

Este simpósio contou com quatro painéis: a Indústria de produção e transformação; a protecção, desertificação e incêndios florestais; os recursos florestais e o melhoramento, biotecnologia e genómica florestais). Das conclusões tidas, destaca-se a necessidade de pensar a floresta nas componentes de gestão, políticas e de investigação florestal, num contexto de mudanças: mudança económica, social, ambiental e da percepção pública.

Em primeiro lugar é necessário flexibilizar a gestão florestal de forma a adaptá-la à maior necessidade de assegurar usos múltiplos da floresta no futuro. A floresta sofrerá pressões relacionadas com conflitos de uso do solo, o que implica a necessidade de conjugar as funções de conservação com produção de matéria prima e produtos florestais. Por sua vez, os produtos florestais portugueses serão sujeitos a uma maior competição. Algumas indústrias da fileira florestal já se debatem com constrangimentos de disponibilidade ou de custo excessivo de matéria-prima nomeadamente nas que transformam a madeira em diferentes tipos de derivados, desde as embalagens ao papel.

Este problema terá de ser resolvido numa óptica de planeamento florestal a nível nacional e num cenário de longo prazo. Neste sentido é necessário continuar a desenvolver modelos de previsão da evolução dos ecossistemas, do crescimento da floresta, bem como modelos económicos para apoiar o planeamento e gestão do território. Porém, para a sua aplicação ao terreno, é urgente efectuar o cadastro das propriedades rústicas. Estes modelos juntamente com o cadastro apoiarão um planeamento florestal que, idealmente, promoverá uma silvicultura seja de apoio à floresta plantada ou à regeneração dos bosques climácicos, mistos e diversos, com capacidade de competir com as espécies invasoras.

Em segundo lugar tudo aponta para que as alterações climáticas venham a agravar estes cenários. Prevê-se para a região mediterrânica um aumento da temperatura média entre 2,5 e 3,5 graus centígrados até 2050 e uma diminuição da precipitação entre 30% a 45%. Estas alterações irão ter como consequência aumento previsível dos incêndios e o aparecimento de novas pragas ou de uma maior agressividade das já existentes.

Para reduzir o risco de incêndios a gestão dos povoamentos terá de ser integrada e flexível, quer através da redução das massas combustíveis, quer através da criação de mosaicos de pirodiversidade (isto é, com diferentes comportamentos de risco e facilidade de propagação do fogo), que deverão ocupar cerca de 20% da floresta. Em Portugal, ardem por ano, em média, 5% da área florestal com uma recorrência de incêndios de cerca de 17 anos, situação que muito contribui para a diminuição da disponibilidade de madeira de maiores diâmetros e constitui um forte desincentivo ao investimento florestal.

Quanto aos aspectos fitossanitários, existem já situações preocupantes destacando-se o declínio do montado, o nematode do pinheiro, a cobrilha da cortiça , o gorgulho do eucalipto, a tinta e o cancro do castanheiro. É de supor que serão sucessivamente agravadas pelo aparecimento de novas pragas e doenças, decorrentes das alterações climáticas ou dos processos de globalização. Estes fenómenos devem ser encarados como interacções entre o ambiente, o hospedeiro (árvore) e o agente patogénico, evoluindo no tempo e no espaço. O aumento esperado do aquecimento superficial trará períodos de actividade mais longos, maior número de gerações de insectos, aumento da capacidade da sua dispersão e da sobrevivência no inverno bem como o aparecimento de novas pragas e doenças. Há uma necessidade premente de conhecer melhor a biologia das pragas e doenças para adequar as práticas de silvicultura e de melhoramento genético à sua prevenção e combate. É por isso necessária uma intensificação do trabalho de investigação e da implementação das soluções encontradas.

Em terceiro lugar é fundamental investir no reconhecimento e preservação da biodiversidade associada à floresta portuguesa. Esta diversidade deve ser entendida quer ao nível da árvore, quer ao nível das comunidades biológicas que a compõe. Ela constitui uma riqueza ambiental única, e um importante sumidouro de CO2. É ainda nesta diversidade que poderão residir formas de resistência às pragas e doenças.

É necessário aprofundar o conhecimento da diversidade das espécies florestais nacionais. A conservação dos recursos genéticos florestais carece de inventariação da variabilidade e do estabelecimento de estratégias de conservação in situ e ex situ, associadas a redes de conservação destes recursos.

Finalmente é necessário desenvolver a criação de conhecimento, desde os aspectos moleculares do desenvolvimento da árvore, passando pela ecologia e silvicultura e terminando na gestão da floresta e da sua organização territorial. Neste contexto, seria importante aproveitar as potencialidades oferecidas pelas novas tecnologias genómicas, por exemplo na identificação e gestão de germoplasma adequado às diferentes necessidades produtivas, bem como a melhor compreensão dos processos ecofisiológicos, fitossanitários ou de qualidade da madeira e cortiça. É necessário abordar os efeitos/respostas do genoma das árvores como um todo, e gerar conhecimentos que permitam manipular o conteúdo genómico de modo preciso, ou predizer a sua resposta aos factores ambientais.

Estes aspectos do conhecimento, devidamente integrados e aplicados, permitirão ganhos de produtividade e de sustentabilidade que continuarão a manter a floresta em Portugal como o mais relevante sistema de produção primária do país, garante actual de milhares de empregos e mais de 1.000 milhões de euros em exportações. Os programas de investigação na floresta deverão privilegiar a investigação pluridisciplinar, interinstitucional, aliando o sector público às actividades e investimento do sector privado, deverão ainda ser temporalmente adequados ao objecto de estudo e dotados dos meios necessários, perspectivando ainda a integração e aplicação dos conhecimentos gerados. É necessário ainda dispor de uma aposta sustentada na transferência intergeracional de conhecimentos e na criação de massa crítica de técnicos, engenheiros e investigadores florestais.

Os programas de investigação deverão ter em consideração as especificidades das espécies que compõem a floresta portuguesa: a floresta de crescimento rápido, principalmente constituída por eucalipto e em menor grau o choupo e castanho), a floresta de pinheiro bravo, o montado de sobro e azinho, e a floresta para produção de frutos (de que o pinheiro manso e castanheiro de fruto são os principais exemplos) e a floresta multifuncional onde algumas espécies apresentam madeira de grande valor, como é o caso do carvalho negral.

Convém por fim repensar as políticas de investigação, planeamento e de gestão florestal, associadas a uma grande capacidade de comunicação entre os actores da floresta (administração central e local, investigadores, produtores florestais, indústria transformadora, e a sociedade em geral), de forma a garantir o crescimento da riqueza produzida pela floresta em Portugal.

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Início do Simpósio

O simpósio Floresta 2050 . Pensar o Futuro irá iniciar-se na próxima Quinta-feira, dia 6 de  Outubro de 2011. A entrega da documentação será realizada a partir das 8h30. A sessão de abertura terá inicio às 9h.

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Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural na Sessão de Abertura

A Sessão de Abertura do Simpósio Floresta 2050 – Pensar o Futuro contará com a presença do Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território,  Daniel Campelo, com o Presidente da Autoridade Florestal Nacional, Amândio Torres, e com Representantes das Entidades Organizadoras INRB, ITQB, IBET e IICT.

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Faltam 4 dias!

FALTAM 4 dias!!
Ainda se pode inscrever no Simpósio – Floresta 2050 . Pensar o Futuro.
Consulte todas as informações aqui 

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Atenção – DEPOIS de 22 de Setembro o valor da inscrição será de 75,00 euros.

NOTA IMPORTANTE

  • Até 22 de Setembro o valor da inscrição é de 50,00 euros.
  • O valor para estudantes é de 30,00 euros.
  • DEPOIS de 22 de Setembro o valor da inscrição será de 75,00 euros.

 

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Prazo alargado para o envio dos Resumos dos Posters – 22 Setembro

O prazo para o envio dos Resumos dos Posters
foi adiado para 22 de Setembro de 2011

Os interessados na participação com comunicações em POSTER
no Simpósio 2050 . Pensar o Futuro
deverão enviar os resumos até 500 palavras
até 22 de Setembro de 2011.

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Novidade – Inscrição especial para ESTUDANTES

O valor da inscrição para ESTUDANTES no Simpósio Floresta 2050 é de 30,00 euros.

É obrigatório o envio de comprovativo do estabelecimento de ensino conjuntamente com a ficha de inscrição.

A inscrição será validada depois da confirmação do pagamento e do envio desse comprovativo.

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Ficha de Inscrição (Ms-Word)

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